Burnout em primeira pessoa

Tive um burnout no primeiro semestre do ano passado. Não aconteceu à toa: eu estava há meses lidando com uma sobrecarga extrema de trabalho e pressão.

Levei mais tempo do que deveria para admitir que era esse o caso, por uma série de razões: uma certa resistência típica da profissão médica de assumir o lugar de paciente, a dificuldade (típica da minha natureza) de interromper projetos e de dizer não para pessoas que, de um modo ou de outro, buscavam minha ajuda; e talvez até por um certo preconceito (como se fosse uma “fraqueza”). Afinal, eu era a pessoa que ajudava os outros a passar por isso.

Descrevendo a minha experiência pessoal, foi como um elástico que foi esticando, esticando e, mesmo quando sentia que não podia mais esticar, ainda assim foi esticando um pouco mais, até perder sua capacidade de acomodação. Ninguém deveria chegar nesse ponto.

Quando finalmente acionei o sinal vermelho, foi um alívio. Foi o momento em que me dei o direito de parar pra cuidar de mim. Tive a sorte de encontrar acolhimento, apoio e solidariedade dos que trabalham e convivem comigo. Obrigada, pessoas lindas! Vocês são incríveis.

Parece que nunca é tarde demais pra gente aprender algumas lições. Tenho aprendido a respeitar os meus limites, a valorizar cada vez mais o meu bem-estar e a não me deixar afetar pelo que não agrega nada à minha vida. Um aprendizado mais difícil do que aparenta, mas necessário.

2023 cumpriu seu papel.

Desejo a todos nós um ano novo em que possamos enxergar a nós mesmos com amor.

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CRM 78.619/SP

Dra. Raquel Del Monde

É médica formada pela USP – RP (1993), com residência em Pediatria pela Unicamp (1996) e Treinamento em Psiquiatria da Infância e Adolescência também pela Unicamp (2013). Viu sua carreira mudar quando seu filho mais velho recebeu o diagnóstico de autismo em 2006. Desde então, vem se dedicando exclusivamente ao atendimento de pessoas neurodiversas, ao aprofundamento nas questões da neurodiversidade, e tornou-se uma ativista da luta anti-capacitista.