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TDAH em mulheres

  • 12/16/2022
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É surpreendente observar o quão pouco se fala do TDAH em mulheres.

Tanto o TEA quanto o TDAH são condições do neurodesenvolvimento, de origem predominantemente genética. Ou seja, a pessoa já nasce com uma configuração neurológica diferente, que muda o modo de receber/processar as informações do ambiente e o modo de reagir a elas, resultando em dificuldades específicas.

Existe uma considerável sobreposição e variadas associações entre as duas condições. E, na verdade, muitas coisas que observamos no autismo em mulheres, também se aplica ao TDAH em mulheres.

A maior prevalência em meninos também acontece no TDAH (estimada em cerca de 3 meninos para cada menina). Uma das razões para isso é um viés do encaminhamento para atendimento profissional. Os meninos costumam ter manifestações mais externalizantes (problemas de conduta, comportamento opositor e disruptivo, agitação motora, agressividade) e, portanto, incomodam mais, causam mais problemas na escola e chamam mais a atenção de pais e professores. As meninas costumam ser mais vistas como distraídas, desinteressadas ou desorganizadas (também apresentam melhor comportamento adaptativo e desenvolvem a camuflagem como mecanismo adaptativo) e não costumam ser encaminhadas para avaliação com a mesma frequência. As comorbidades também são diferentes: meninas apresentam mais ansiedade, depressão, alterações de humor e problemas de aprendizagem. 

Os sinais e prejuízos da condição tendem a se tornar mais aparentes em períodos de transição (puberdade, transição entre ciclos do ensino, demandas maiores da vida adulta e do trabalho). Quando adultas, mais conscientes de suas dificuldades, muitas mulheres procuram espontaneamente os serviços de saúde, em busca de ajuda.

Os prejuízos podem ser muitos: maior risco de gravidez não planejada, interrupção de estudos, problemas no trabalho e na vida familiar, abuso de álcool e drogas, acidentes etc. A labilidade emocional (irritabilidade, mudanças de humor) aparece como a principal queixa na vida adulta – ainda não temos muitos dados sobre sintomas orgânicos, mas fadiga e dor são relatadas com muita frequência.

É importante que os profissionais estejam atentos para as sutilezas da apresentação do TDAH em mulheres, para que elas possam receber os suportes adequados.

Não deixe de comentar se tiver alguma experiência pra compartilhar!

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